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ARTIGO ORIGINAL

Nova bioprótese aórtica sem suporte: resultados clínicos

Bayard Gontijo Filho; Mário O Vrandecic; Mário Morea; Kjell Radegran; João Alfredo de Paula e Silva; Fernando Antônio Fantini; Juscelino Teixeira Barbosa

DOI: 10.1590/S0102-76381992000300008

Texto completo disponível apenas em PDF.



Discussão

DR. PAULO PRATES
Porto Alegre, RS

Agradeço à Comissão Organizadora a inclusão do meu nome como comentador oficial. O Dr. Gontijo Filho faz parte da sociedade a que, com muito orgulho, também pertenço como membro fundador: A Denton Cooley Cardiovascular Surgical Society". O lema que norteia nossa sociedade é: modificar, simplificar, aplicar. O conceito de bioprótese sem suporte não é novo e talvez seja mais antigo que as próteses com suporte, pois surgiram com os homo-enxertos. No entanto, os autores modificaram este conceito, simplificando-o e aplicando-o com sucesso. Porisso, cumprimento duplamente o autor e colaboradores pelo importante trabalho e por estar seguindo nosso lema. Aminha vida pessoal do problemadas biopróteses é que os resultados a curto e médio prazos são muito bons e isto faz com que poucos grupos se dediquem com afinco ao estudo deste campo. A curva de sobrevida de pacientes com biopróteses porcinas em posição aórtica sem falha nas mesmas mostra números como 60-66%. Em 7 e 11 anos, conforme levantamento feito e publicado pelo Dr. Renato Kalil, em nosso Serviço e pelo Dr. Gallucci, na Itália. A curva começa a decrescer em torno do 3º ao 5º ano de evolução. Nós sabemos que os pontos problemáticos na duração das biopróteses continuam sendo o suporte, o gradiante e o método de conservação. Por outro lado, é evidente que as falhas nas biopróteses devem ser encaradas como multifatorais onde são importantes o tipo de paciente, o cirurgião e a fabricação das mesmas. Isto dificulta o problema e a decisão entre prótese mecânica e bioprótese em muitos casos continua sendo muito difícil para nós, principalmente em pacientes jovens. Os autores apresentam uma bioprótese sem suporte rígido ou semi rígido sendo o suporte necessário substituído pela parede da aorta, que, com sua elasticidade, amortece, evidentemente, o trauma nos folhetos. Isto, por si só, deve aumentar a durabilidade; o tipo de montagem nos permite usar próteses com uma área funcionalmente maior, o que diminui o gradiente transvalvular, que é outra causa de alteração nos folhetos. O que, a meu ver, permanece é o problema da calcificação precoce nos jovens, que parece estar relacionado ao método de conservação dos tecidos. O inconveniente de não ser ideal para o uso em paredes aórticas alteradas é sobrepujado pelo grande conveniente de ser usado com vantagens nas endocardites e nas aortas que necessitam alargamento. O período de acompanhamento é ainda muito curto, mas penso estarmos no caminho certo e, porisso, mais uma vez cumprimento os autores pelo excelente trabalho.

DR. BAYAR GONTIJO
(Encerrando)

Agradeço os comentários do Dr. Paulo R. Prates e concordamos plenamente em que os fatores de degeneração das biopróteses são de origem multifatorial e, justamente neste sentido, temos orientado nosso trabalho, ou seja, no aprimoramento do designe na preservação tissular. A simples eliminação do suporte das biopróteses aórticas apresenta, de imediato, pelo menos duas grandes vantagens hidrodinámicas que, porsi só, podem aumentarsua longevidade. Em primeiro lugar, há um funcionamento dos seios de Valsalva, que assumem grande importância no fechamento valvular, tornando-o mais suave, sem determinar stress às cúspides aórticas. A segunda vantagem é o ganho evidente de uma área funcional efetiva com geração de menores gradientes. Desta forma, estes substitutos, por se assemelharem à valva aórtica nativa, deverão apresentar melhor performance a longo prazo, fato este que já pode ser verificado em outras experiências. Por outro lado, procuramos salientar, neste trabalho, a importância da bioprótese Stentlessem pacientes com alterações do anel aórtico, nos quais, não nos resta dúvida, ser esta a melhor opção atual de que dispomos.

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