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ARTIGO ORIGINAL

Contrapulsação aórtica intraoperatória pós circulação extracorpórea (CEC): apresentação de método

Celso Luis dos Reis; Paulo Roberto Barbosa Evora; Paulo José de Freitas Ribeiro; José Carlos Franco Brasil; Adonis Garcia Otaviano; Hércules Lisboa Bongiovani; Rubio Bombonato; Almir Sales Pereira

DOI: 10.1590/S0102-76381986000200007

RESUMO

Apresenta-se um sistema para obtenção do efeito de contrapulsação aórtica no período intraoperatório pós perfusional de cirurgias cardíacas.

ABSTRACT

The authors present on a system to obtain the aortic counterpulsation-effect in the immediate period after cardiopulmonary bypass for cardiac surgery.
Texto completo disponível apenas em PDF.



Discussão

DR. KENJI NAKIRI
Sao Paulo, SP

Cumprimentamos o Dr. Celso Luis dos Reis e seus colaboradores, por esta interessante contribuição à cirurgia cardíaca. As vantagens da circulação assistida por contrapulsação já são por demais conhecidas de todos. Entretanto, ainda nos dias de hoje, persiste controvérsia quanto à superioridade do fluxo pulsátil sobre o não-pulsátil. Ao rever a literatura, tenho ficado com a impressão de que os parâmetros utilizados na avaliação comparativa desses dois tipos de fluxos não são totalmente adequados. Ao meu ver, os estudos seriam mais precisos se quantificassem fenômenos que ocorrem em nível arteriolar e capilar.

(Slide) Em um trabalho realizado juntamente com o Dr. De Paeppe, há alguns anos, no Instituto do Coração, observamos arteríolas de córtex cerebral de cães submetidos a fluxo não-pulsátil e pulsátil. Constatamos que, com fluxo não-pulsátil, ocorreu uma diminuição de 40-50% do diâmetro arteriolar, com desaparecimento da pulsatividade, evidentemente. Com fluxo pulsátil, o comportamento foi diferente. Imprimindo-se um tempo sistólico de 30% à pulsatilidade, não houve alteração no diâmetro arteriolar, além de se observarem variações sistodiastólicas do seu diâmetro. Porém, quando se alterou o tempo sistólico, por exemplo, para 70%, houve alteração de aproximadamente 40% do diâmetro arteriolar, com perda da pulsatilidade.

(Slide) Este slide mostra que, quando a arteríola perde a pulsatilidade, o fluxo cai acentuadamente. À medida que se acentuam as variações sistodiastólicas do diâmetro arteriolar, o fluxo aumenta. Portanto, quando se fala em fluxo pulsátil, é preciso referir-se às suas características.

(Slide) Para imprimir fluxo pulsátil à circulação extracorpórea, nós construímos um balão de poliuretano contido em um estojo rígido, um sistema semelhante ao do Dr. Reis.

(Slide) Aqui, se mostra a aplicação do sistema em uma cirurgia, em uma criança. A propulsão sincronizada é realizada por um controle eletropneumático, também desenvolvido no Instituto do Coração. A contrapulsação proposta pelo Dr. Reis consiste, na realidade, em imprimir maiores amplitudes nas variações sistodiastóhcas da pulsatilidade, amortecidas pelo baixo débito. Desejaria, então, fazer duas perguntas: 1) Por quais parâmetros ele se guia para estabelecer um modo de contrapulsação "ideal" em seu sistema? 2) A cânula aórtica, especialmente em crianças, constitui fator limitante para um sistema deste tipo. Tem observado alguma dificuldade? Agradeço à Comissão Organizadora o privilégio de tecer estes comentários.

DR. REIS
(Encerrando)

Nossos agradecimentos aos comentários do Prof. Kenji Nakiri. É motivo de grande orgulho para nossa Instituição tê-lo como comentador oficial do nosso trabalho, neste Congresso, valorizando-o, uma vez que o Prof. Kenji é sabidamente uma autoridade no campo experimental de assuntos congêneres ao aqui apresentado. Concordamos com o Dr. Kenji, quanto aos aspectos controversos das reais vantagens do fluxo pulsátil em circulação extracorpórea. Em trabalho anterior (Arq. Bras. Cardiol., 43:238, 1984), não encontramos vantagens quanto aos parâmetros de perfusão capilar periférica propostos por Shoemaker, em perfusões até 60 minutos, embora tenhamos encontrado evidências da diminuição da resistência vascular periférica, nas perfusões em que se utilisou o fluxo pulsátil por tempo superior a um hora. Quanto ao sistema de fluxo pulsátil empregado pelo Prof. Kenji, já o conhecíamos e, fundamentalmente, ele apresenta duas diferenças, em relação ao nosso mecanismo: 1) o nosso bulbo pulsátil é de borracha atóxica e não de poliuretano; 2) o sincronismo da pulsação é inteiramente mecânico, acoplado à manivela do rolete arterial da bomba de CEC. Gostaríamos de ressaltar que o trabalho apresentado não é sobre fluxo pulsátil em CEC, e sim uma adaptação do dispositivo por nós desenvolvido, para auxílio mecânico temporário ao ventrículo esquerdo por contrapulsação intra-operatória. Neste aspecto, o parâmetro utilizado para estabelecer-se a contrapulsação foi o clássico, ou seja, o perfil de pulso obtido por cateterização da artéria radial, a partir da qual se posicionou a onda de contrapulsação. Em relação ao emprego do sistema em crianças, ainda não temos experiência que permita conclusões.

REFERÊNCIAS

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